Como se diferenciar em tempos de hiperconsumo e aparências?

  • Num século, onde marcas, etiquetas, carros importados e smarthphones dominam, como se tornar um indivíduo diferenciado? Ou uma família diferenciada?

Leo Fraiman: A felicidade é sempre comparativa, ou seja, sou tão feliz quanto me comparo com outros. Se eu vejo que quem está ao meu lado tem mais ou vive melhor do que eu, de alguma forma me sinto infeliz. E um perigo que temos hoje na internet, na televisão e nos meios de comunicação em geral é esse grande apelo da felicidade instantânea, a qualquer custo, só para mim e baseada em “ter” e não no “ser” ou no “conviver”. Assim, a ciranda do hiperconsumo se instala: eu acho que quanto mais eu tiver, mais serei feliz, me afasto das pessoas, trabalho muito e evito entrar em contato com o vazio real. Assim as pessoas se afastam das relações, do sentido de vida, das gratificações e passam a consumir mais drogas, pessoas e coisas, criando um ciclo vicioso e perigoso.

Para ser diferenciado, é preciso ter clareza do que se quer. Também é preciso analisar se o que você quer é um desejo realmente seu ou se é algo em que você acredita que, tendo aquilo, usando aquela marca, ajudará a ter uma imagem melhorada perante o grupo, filhos, sócios ou pessoas conhecidas. Se assim for, é mais aconselhável driblar essa necessidade do “ter” e investir em valores espirituais, como carisma, bem-estar, relações, humor, inteligência, sabedoria, leveza, flexibilidade etc. Depois é preciso questionar se você pode ter aquilo que deseja. Já conheci pais que se acabavam de trabalhar à custa de seu tempo com os filhos. O contrário também pode acontecer, assim como em outras áreas da vida de cada um.

Outro perigo é a busca da padronização, que trata-se de querer ser igual para encaixar-se em um ideal. Aqui temos dois perigos: primeiro, a falta de autoconhecimento do que é realmente um desejo seu, como dito anteriormente. A falta, portanto, de autenticidade nessa busca, o que esvazia a busca em si de sentido e de significado. Em segundo lugar, temos a questão do ideal. E, se é ideal, é porque é perfeito e sem falhas e, por isso mesmo, irreal. Buscar ideais no lugar de possibilidades sempre nos levará à frustração. 

A saída é sempre investir em autoconhecimento e procurar um estilo de vida que condiga com o que é importante para você e lhe traga gratificação. É fazer escolhas conscientes, examiná-las, reavaliá-las com frequência, sendo honesto com você mesmo. Lembrando que a gente sempre pagará um preço, pelo ter ou pelo não ter, pelo ser ou pelo não ser, mas alguns preços são mais viáveis que outros. Cabe a nós sermos responsáveis por esse tipo de escolha que fazemos todos os dias.

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