COLOCANDO LIMITES: devemos negociar com os filhos?

A construção de limites não é fácil, mas é necessária. Afinal, em educação, o que é difícil fazer fica muito mais difícil quando não é feito. O primeiro passo é os pais entenderem que há coisas que são negociáveis e outras que são inegociáveis. Não se deve negociar educação, saúde e respeito.

Se um hábito é nocivo para a educação de um filho (por exemplo, dormir tarde), não há negociação: a criança deve dormir no horário combinado sem discussão. Se ela não desliga sozinha a luz do quarto ou o videogame, é aí que entra a força do adulto que ama de verdade, para proteger a criança de si mesma. Muitas vezes, mesmo na adolescência, o filho não consegue perceber que a noite mal dormida vai, sim, implicar numa aula pouco aproveitada no dia seguinte ou mesmo em pouca energia física para as atividades diárias.

Não se negocia, por exemplo, colocar ou não o piercing no umbigo aos doze anos só porque a filha quer. Ou fazer uma tatuagem aos treze porque o filho tem vontade. Da mesma forma, não é o filho que tem de escolher o cardápio da casa. Se os pais não sabem como gerar uma boa oferta alimentar, devem procurar ajuda de revistas especializadas ou mesmo marcar uma hora com um profissional da área de nutrição que ajude a encontrar o equilíbrio possível entre sabor e saúde. Afinal de contas, nos alimentamos no mínimo três vezes por dia, e tudo começa ali, na mesa de casa. Se os filhos crescem percebendo que algo fora deles (por exemplo, a comida, o videogame, o consumismo) é que manda em suas vontades, tenderão a desenvolver menos o autocontrole. Isso muitas vezes está na base da ansiedade ou até da depressão na infância e adolescência.

Um dos valores que deve ser base em todas as famílias é o respeito. Usar o momento do café da manhã para falar mal de quem não está lá, como professores ou colegas de trabalho, demonstra falta de respeito e consideração pelos outros. Respeito é algo que deve ser irrestrito, universal e ensinado nas pequenas ações do dia. Xingar no trânsito, comprar produto pirata, ficar com o troco a mais do caixa do supermercado, tudo isso está na contramão do ensino desse importante valor humano, que anda de mãos dadas com a ética, a justiça e a honestidade.

É preciso deixar claro os limites da casa, os valores que são considerados importantes naquele lar e sinalizar aos filhos que os pais se consideram e se respeitam, aproveitando oportunidades para ensinar sobre hierarquia e novamente sobre o autocontrole, indispensável para o desenvolvimento da autonomia e do espírito empreendedor.

Que tal sentar esta semana com seu marido, com sua esposa e rever os valores que vocês querem ter em seu casamento e em seu lar? Valorizem-se.

 

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